Me and Ms. Jones

We (used to) meet every day at the same café

hoje, depois de um tempo pensando se sim ou se não, apaguei o número dele do meu telefone. são as pequenas medidas para me distanciar cada vez mais. é a desconexão que acontece aos poucos.

não saberei quando está online. não poderei inventar uma desculpa pra mim mesma dizendo que mandei mensagem errada no whatsapp sem querer. não me sentirei tentada a enviar sms de aniversário, natal ou ano novo, nem mesmo aquelas tradicionais mensagens coletivas. nada.

os e-mails, as conversas, todas essas lembranças, também estão indo aos poucos.

 

Hoje é o aniversário dele.

É claro que não vou ligar, nem mandar mensagem, nem querer saber como foi o dia. Não temos mais nada para falar. Nossas vidas estão seguindo.

Só espero que seja ele seja feliz e que tenha saúde.

é minha última noite. meu vôo sai às 7h. esfriou e meus pés estão gelados. sem sono. com fome.

estou contente comigo. não houve um dia que não lembrasse dele em algum momento do dia. pensava por onde andava. se estaria aqui ou em outro lugar. mas em nenhum momento passou pela minha cabeça a possibilidade de entrar em contato, avisando que estou aqui ou pedindo pra vê-lo. estou contente. apenas contente comigo.

último dia no rio. sigo o meu caminho de volta.

mas ainda sinto falta desse lugar.

street

rio de outubro

estar no rio, apenas três meses depois de te ver pela última vez naquela manhã na tua casa, e não alimentar a expectativa de te ver é uma sensação muito diferente. é estranho.

domingo, enquanto eu buscava um lugar pra me hospedar e olhava no mapa, passava os olhos por bairros, ruas, por onde andamos ou nos divertimos. quando olhava alguma rua a que você fazia alguma referência, o peito apertava. mas eu sabia que estava vindo para cá e que nós não vamos nos encontrar.

não sei se você está aqui ou em outro lugar.

eu estou aqui por uma semana. vim passear, vim comprar, vim ver o rio, mas não vou te ver. desta vez eu sei. desta vez eu não vou te esperar, como esperei tantas vezes, como pedi tantas vezes pra te ver.

é difícil estar aqui sem você, tendo a consciência de que nossa história acabou. está sendo um teste, uma prova. mas estou superando a falta da sua presença, ainda que virtual, na minha vida.

e pode ser que eu nunca te esqueça. mas eu vou superar tudo aquilo que dói.

“nada mais vai me ferir

é que eu já me acostumei

com a estrada errada que eu segui

e com a minha própria lei

tenho o que ficou

e tenho sorte até demais

como eu sei que tens também”

Dizer adeus e começar imediatamente uma campanha política foi o que melhor poderia ter me acontecido. Sem tempo pra pensar na dor, em mim ou em você.

E o nosso tempo vai passando.

Obrigada por não me ligar. Obrigada mesmo por não me lembrar de você.

Abri uma lata de cerveja. Estou consumindo junto a nossa história. A minha história. Resolvi abrir um dos back-ups. Ano 2008. Nem lembrava, estava lá o log do messenger. Uma de nossas conversas pouco tempo depois que retomamos o contato. No início do ano, a gente tinha se encontrado rapidamente no Largo do Machado. Aquela conversa esquisita e distante, mas que abrigava minha vontade de te abraçar. Ele cheio de sacolas, com hora pra ir chegar em casa. Eu, nervosa, sem saber o que falar. Éramos dois conhecidos estranhos. Meses se passaram e eu fui ao Rio. Parecia que finalmente íamos nos encontrar de verdade. Era novembro.Nos encontramos, lavamos toda a roupa suja… Falamos o que a gente precisava falar… Não vou esquecer aquele dia no Bar das Quengas.

Finalmente nos “reencontramos”.  Achava que era um recomeço.

Alguns dias depois, ele me encontrou no Centro e foi comigo até Jacarepaguá.

28/11/08 – 15:14

E eu voltava a ser feliz de novo.

Não vem me dizer que vai passar, que não era a pessoa certa. Não vem me dizer que a vida é assim e que ninguém tem culpa.

Eu sei bem quem eu sou e o quanto eu perco por isto. Eu sei bem a dor que estou sentindo há semanas e não consigo fazer parar.

Eu só não sei qual é a fórmula pra desaparecer por completo.

Sit there and count the raindrops
Falling on you, its time that you knew
All you can count on is the raindrops
That fall on little girl blue

 

Tem sido um processo difícil: dizer adeus. Decidir sair da sua vida não foi nem está sendo fácil. Mas foi um começo. Tenho pensado no que vou ganhar, no que vou perder e gradativamente vou fazendo nossa despedida. Estou triste, é como um luto, mesmo depois de ter sido minha decisão. Não te levaram de mim. Eu, que já me sentia sozinha, escolhi me despedir. Choro, sinto saudade, me pego olhando nossas fotos e não tenho certeza se foi a melhor opção. Mas o que mais eu podia esperar de você?

Olho nossa primeira foto juntos. Eu achava que a gente combinava. Que a gente tinha tudo a ver. Mas eu preciso aceitar a minha morte na sua consciência, ainda que seja dolorido. Não farei parte das suas escolhas. Aliás, acho que nunca fiz. Não partilharei das suas alegrias. Não saberei do teu dia. Nunca mais estarei na tua vida. A gente nunca mais vai se ver.

Nossa história, ou talvez, mais certo, minha história sobre você começa a morrer aqui.

 

01:28h. Consegui terminar minhas listas e relatórios de produção. Dias longos e intensos. Amanhá tudo começa às 6h. É o que me salva estes dias de pensar o dia inteiro em você. Desci pra fumar e em algum lugar bem próximo, estava tocando uma música que me lembra muito você: Chega pra cá, meu bem, que vou te ensinar… É só ouvir, fechar os olhos e voltar no tempo é inevitável.

Foi um bom tempo e dói pensar que acabou.

:(

Por que ele faz isso comigo? 

Eu saí faz uma semana de lá, em cacos, querendo me desfazer desta história, querendo esquecer o que sinto por ele e ele envia mensagem?

:(

Eu preciso ser firme… Eu vou ser firme… Eu vou conseguir te esquecer.

Eu só preciso digerir tudo isso… Eu só preciso de tempo…

Eu tinha ficado com o Alê na festa em que a gente se conheceu, no dia 02/06/01.  Lembro exatamente do momento em que o Mário nos apresentou ali, no canto do bar Igapó, mas aquele cara bonito, de óculos fininho, camisa salmão, eu acho, nem me olhou. Quando a Tânia me falou que o amigo do Túlio queria sair comigo, eu achava que era só conversa dela pra ficar novamente com o Túlio. Marcamos a primeira vez, que não deu certo, levamos bolo. Na segunda vez, vocês queriam ir pra festa do Boi no Tropical, mas eu e Tânia fomos direto para o Porão. E então vocês chegaram. Ficamos conversando por muito tempo, até que no meio daquela conversa de primeiro encontro, você me tascou um beijo que me deixou tonta. A gente se pegou de um jeito, de uma forma que eu esqueci totalmente das pessoas ao redor.  Ali, entre beijos e amassos, tocou a música que, pra mim, ditou tudo o que eu vivi e senti até hoje. Again. Ela contava o que eu até outro dia achava que era a nossa história. Saimos dali amanhecendo o dia, chegando em casa já com o sol dando as caras. Entrei em casa de mansinho, o papai vendo Globo Rural. Eu entrei toda sem graça, fingindo tudo natural, dei bom dia e sentei ao lado dele pra ver um pedaço do programa, mas só conseguia pensar em você. Àquela hora já era domingo, mas pra mim, tudo começou na noite anterior: 16/06/2001.

“eu não te prometi nada…”

nunca falei de promessas. nunca cobrei promessas. meu amor se agarrava ao que eu achava que era o seu amor.

:´(

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